Recortes de imprensa

Era uma vez a Filosofia

Sol, 23 de Setembro de 2006

Andreia Félix Coelho

As faculdades com licenciaturas em Filosofia vão ficar impedidas de exigir o exame a esta disciplina como prova de acesso aos seus cursos. Em vez disso, têm de optar por exames de outras matérias, como História, Geografia ou Português.

Também os outros cursos, como Direito, deixam de poder pedir a prova. Este é, de acordo com uma decisão do Ministério da Educação, o último ano em que o ensino secundário realiza exame nacional de Filosofia para ingresso na universidade.

Em Maio passado, a Comissão Nacional de Acesso ao Ensino Superior notificou as faculdades para que deixassem de escolher este exame. Na Universidade de Évora, por exemplo, o departamento de Filosofia foi obrigado a optar por História. "Mas discordamos inteiramente", disse ao SOL um responsável deste departamento. Afinal, eram 357 as licenciaturas que até agora pediam Filosofia como prova de acesso.

O presidente da Sociedade Portuguesa de Filosofia (SPF), António Costa, considera a situação "inaceitável" e não se conforma com o facto de os próprios cursos de Filosofia terem que exigir outra prova. Fonte oficial do gabinete de Maria de Lurdes Rodrigues afirma, porém, que "as faculdades terão liberdade para realizar provas próprias".

Professores sem orientações para dar a disciplina

Entretanto, e apesar de ainda haver exame este ano, o ministério suspendeu o documento que orientava os professores sobre as matérias a ensinar -- orientações que uniformizavam as aulas para que todos os alunos fossem a exame com o mesmo tipo de conhecimentos.

A notícia desta suspensão foi dada no site da Direcção-Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular, que remete para um link onde estaria o despacho a fundamentar a decisão.

O link, porém, não leva a lado nenhum. E, por isso, a SPF pediu já esclarecimentos à tutela. Não teve ainda qualquer resposta. "Todos os dias recebemos mensagens de professores que não sabem o que fazer. E as aulas já começaram há duas semanas", lamenta António Costa, explicando que "o programa é tão vago que se pode ensinar qualquer matéria".

A presidente do Gabinete de Avaliação Educacional, Glória Ramalho, informou o SOL que também já pediu orientações à tutela para começar a elaborar o exame de Filosofia deste ano. O ministério continua sem responder.