Recortes de imprensa

Filosofia sem avaliação nacional no 11.º ano

Público, 31 de Outubro de 2006

Bárbara Wong

Este ano lectivo, e pela última vez, será realizado o exame nacional de Filosofia, no final do 11.º ano, e só para efeitos de acesso ao ensino superior. A Associação de Professores de Filosofia (APF) e a Sociedade Portuguesa de Filosofia (SPF) insurgem-se contra esta medida do Ministério da Educação. "Não estamos de acordo e temos mostrado a nossa oposição à medida", diz João Carlos Lopes, da direcção da APF. A SPF, pela voz de António Paulo Costa, lembra que "é favorável à existência de exames nacionais de Filosofia" e que não compreende como é que a preocupação da tutela em avaliar os conhecimentos dos alunos não se estende à disciplina. "Não parece sensato" que, a partir do momento em que deixe de haver exame, os estudantes que se queiram candidatar a formações no superior que pediam esta prova — a APF fala de cerca de 300 cursos, como Direito, Enfermagem ou Filosofia — tenham de fazer outros exames, como Geografia, diz João Carlos Lopes. Se essas formações solicitavam o exame é porque a disciplina é útil, continua. "Talvez não sejam de desdenhar as competências que a Filosofia pode dar aos estudantes", conclui o professor. A APF, a SPF e algumas instituições de ensino superior que leccionam Filosofia preparam-se para enviar um texto ao Ministério da Educação sobre o tema. "O exame continua a ter sentido, pelo menos como acesso ao ensino superior para os cursos que até agora pediam esta formação", conclui João Carlos Lopes.