Recortes de imprensa

Filosofia sem orientações

Sol, 11 de Novembro de 2006

Andreia Félix Coelho

Os professores de Filosofia estão inconformados com os motivos dados pelo Ministério da Educação para ter suspendido o documento que orientava os docentes sobre as matérias a ensinar nas aulas. A Sociedade Portuguesa de Filosofia (SPF) já pediu esclarecimentos ao secretário de Estado da Educação, Valter de Lemos, mas ainda não obteve resposta.

Conforme o SOL noticiou a 23 de Setembro, estas orientações, que uniformizavam as aulas para que todos os alunos tivessem os mesmos conhecimentos, foram suspensas devido à extinção do exame nacional de Filosofia. No entanto, em 2007, ainda haverá prova. E os professores questionam: «Por que razão não se adiou a suspensão para Julho de 2007»? Há alunos, agora no 11.º ano, que seguiram as orientações apenas no ano passado. Todavia, vão realizar exame nacional este ano.

A Direcção-Geral da Inovação e Desenvolvimento Curricular explicou — em carta à SPF, a que o SOL teve acesso — que a prova terá questões que seguem as orientações e outras, em alternativa, que seguem o programa homologado em 2001. E diz que os docentes devem seguir este programa nas aulas.

Mas estes argumentos não satisfazem os professores, que não entendem esta súbita decisão antes do fim do exame. A SPF afirma mesmo que os motivos apresentados são «tecnicamente incorentes, imponderados e de consequências graves».

Entretanto, a SPF já enviou três ofícios a Valter de Lemos, sem que tenha recebido qualquer resposta. Pedem mais esclarecimentos e exigem que o secretário de Estado recue no despacho que suspende as orientações.

Este documento de "coordenadas", que contém indicações como os autores e as obras a estudar, foi elaborado entre a Associação de Professores de Filosofia, a SPF e os autores do próprio programa de 2001, num processo supervisionado pelo gabinete de Valter de Lemos.

Por isso, a SPF afirma: «Na inédita posição da Direcção-Geral, fica implícito que terá havido incompetência em quem superintendeu ou, mais grave, em quem homologou as Orientações para a Leccionação do Programa de Filosofia».